FOLCLORE

Matinta Perera


Diz a lenda que, à noite, um assobio agudo perturba o sono das pessoas e assusta as crianças. O barulho só para se alguém lhe prometer tabaco ou fumo. No dia seguinte, uma velha aparece na casa onde a promessa foi feita para apanhar o fumo. A velha é uma pessoa do lugar que carregaria a maldição de "virar" Matinta Perera, ou seja, de transformar-se em bicho.

Matinta Perera

A Matinta Pereira é uma ave de vida misteriosa e cujo assobio nunca se sabe de onde vem.

Aparece de noite nas vilas, cidades, povoados, atravessando o espaço com seu grito arrepiante. Ninguém sabe onde a Matinta mora. É crença entre paraenses e amazonenses que existem velhas com o poder de transformar-se em Matintas. Assim, ouvindo seu grito os moradores prometem, em voz alta, fumo.

Pela manhã, é quase certo que uma velha mendiga irá aparecer pedindo esmolas. É a Matinta que vem cobrar a promessa feita.

Outras vezes assume a forma de uma velha vestida de preto, com o rosto parcialmente coberto. Prefere sair nas noites escuras, sem lua. Quando vê alguma pessoa sozinha, ela dá um assobio ou grito estridente, cujo som lembra a palavra: "Matinta Perêra..."

Para os índios Tupinambás esta ave, era a mensageira das coisas do outro mundo, e que trazia notícias dos parentes mortos. Era chamada de Matintaperera.

Para se descobrir quem é a Matinta Pereira, a pessoa ao ouvir o seu grito ou assobio deve convidá-la para vir à sua casa pela manhã para tomar café.

No dia seguinte, a primeira pessoa que chegar pedindo café ou fumo é a Matinta Pereira. Acredita-se que ela possua poderes sobrenaturais e que seus feitiços possam causar dores ou doenças nas pessoas.

Um ponto em comum em todas as versões encontradas, é que se trata de um indivíduo nômade, que anda a gritar, ou com seu assobio de pássaro, ou a tocar uma flauta, sempre a pedir tabaco. No Tupi encontramos Mata como significado de coisa grande, e mati para coisa pequena. No nosso caso da Matinta-Pereira, o mati significa um ente misterioso, nem ave, nem quadrúpede, nem serpente, nem gente, mas tendo de todos estes alguma coisa, com o poder de si transformar de velha senhora a ave.

Quando ouve aquele som horripilante o povo assustado fecha as portas e janelas, e todos se calam para não atrair o "demônio" para suas casas.

Nos dias seguintes a essa noite, todos sabem que durante o dia chegará às suas portas uma velha a pedir tabaco ou esmola. Nesse caso é melhor dar. Insatisfeita tentará entrar na casa; Satisfeita ela irá embora sem causar mal algum.

Fonte: Jose Coutinho de Oliveira - Lendas Amazônicas, 1916.
Foto: Joe Santos/Guerreiros Folclóricos


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